quinta-feira, 8 de dezembro de 2022

Caos

 O caos. 


É assim que venho me descrevendo esse ano. 

Quem me conhece mais intimamente vai acrescentar "além disso é doidinha e agitada" e por muitas vezes isso me foi toxico e problematico.

Mas nesse ano, aprendi a amar cada detalhe desse caos.

Para muitas pessoas, certas coisas são novidade, até mesmo estranhas. Para muitas o meu ser é não somente uma incognita, mas a abstratacao mais real que existe nesse mundo. 

E para descrever tudo isso vejo o caos como a mais completa sinfonia dos meus sentidos. 

Absurdamente perspicaz o quanto isso faz sentido pra mim. 

O caos não é apenas uma desordem, mas o inesperado. 

É a sensação mais completa e confusa de sentidos. Quem vê logo se assusta. Mas como bons brasileiros, sabemos que nos cativa. O caos sempre nos convida a invadir uma zona de guerra mesmo que por curiosidade apenas. 

É o caos que faz nossos olhos se vislumbrarem e faz nossa mente se lembrar e desejar a paz como algo importante. 

É o caos que nos ensina que precisamos ser organizados no campo de guerra. É o caos que nos mostra as nossas falhas e fraquezas nos permitindo novamente, ajustar mais um detalhe sobre si. 

Por fim, ironicamente, o caos parece definir tudo que nos faz verdadeiro sentido, tudo que nos parece verdadeiramente útil. 

Talvez o caos, não seja só uma novidade, mas seja o desejado novo conhecido. 

O caos me parece, agora, um novo amigo, que me ensina e me lembra, que todas as outras questões sobre a existência e a vida existem por questões de necessidade. 

Precisamos ser organizados. Precisamos ser compreensivos. Precisamos ser respeitosos. Precisamos ser pacificos. Precisamos ser empaticos e ouvintes. Precisamos ser calmos tranquilos. Precisamos disso, e daquilo. Nos precisamos. Pois o caos vai vir, talvez ele nunca saia na verdade. Mas se ele existir apenas se deixei ouvir sobre as suas novas maneiras necessárias de se fazer o próprio existir. 


sábado, 17 de setembro de 2022

"Quem é Você?"

 

Em muitos momentos ao longo dos meus 20 anos de vida, eu me vi fazendo essa pergunta:

"Quem é você?" 

Talvez em determinados momentos essa pergunta seja realmente importante. Como quando eu tinha 7 anos e conheci o Espírito Santo pela primeira vez. O mundo ao meu redor era sempre uma descoberta, algo novo e encantador. Tudo que eu sabia, ou eu não conhecia, ou eu ansiava por entender e ver de novo, era curioso, divertido e bom se descobrir nesse período.

Mas talvez aos 15 anos, essa pergunta se torne completamente conflituosa (ao menos a foi para mim). Eu ouvia vozes de pessoas importantes pra mim, que me diziam coisas nem sempre favoráveis a essa resposta. Ouvia a mim mesma dizendo que o mundo é uma caixinha de surpresa constante e que isso era ou poderia, ser fantástico. Ouvia meus avós contando suas experiências mais reveladoras da vida, e me encantava com a possibilidade de as ter pra mim. Ouvia alguns amigos, em que faziam questão de me lembrar o quao importante eu era para eles, e o quanto agregamos uns aos outros. Ouvia meus livros favoritos, onde a vida se revelava de novo, em constantes e novas descobertas. E por mais respostas, para "Quem eu sou?" eu tivesse, menos certezas eu tinha. 

E em todas essas vozes, uma sempre se sobressaiu. A do Espírito Santo, me dizendo coisas absurdamente belas ao meu respeito. Até mesmo quando ele falava de algum defeito, era de uma forma muito singela e sensível. Era sempre como um convite a permitir ser diferente. Em comparação as outras vozes, por vezes eu saía mais com medo de mim mesma, do que com coragem para me entender de uma nova maneira.

Como disse, essa pergunta é sempre estranha de se fazer. Mas por um ponto curioso, ela nunca desapareceu pra mim. Realmente desde muito cedo, eu me pergunto isso. E vou me imaginando de diferentes formas. Hoje talvez como um reflexo dessa parte da vida, quando eu realizo uma proposta com meus alunos, é sempre envolvendo as possibilidades de se brincar com quem é. De se ver como uma bruxa, um pirata, uma bailarina... Experienciar em diferentes reações e sensações. Para adultos, isso talvez seja estranho. Mas para crianças é muito belo. Apesar de situações parecidas, eles se revelam cada vez mais, sobre quem são. Eles se reconhecem como parte de algo, se vem em situações próprias, e aquela marca familiar que os segue e os cerca, cada vez menos se impera. 

E quando eu olho para esses momentos, eu de novo me pergunto "Quem Você é?". E por vezes, novamente, caio em mil respostas e possibilidades. 

Em 20 anos, eu talvez, ainda não tenha a plena resposta. Tento olhar como uma possibilidade positiva, em que ao longo dos meus dias, eu vou não apenas preenchendo essas respostas, mas me encantando e desencantando com as possibilidades da vida. Olho como algo positivo, que me faz olhar para essa pergunta de uma forma de diferente, e assim questionar ela: 

"E se quem sou, é sobre nao ser, mas sobre descobrir quem se é?" 

Mas é claro, uma redundância dessas, não se torna suficiente, ainda "Quem é você?" Demonstra mais força e mais potência. 

E quando junto todas essas partes de mim, todas essas vozes que se revelam através de espelhos. Eu lembro de novo da primeira vez que ouvi o Espírito Santo falar comigo. 

E ele me dizia assim: 

"Você é minha filha amada, em quem eu me regozijo, me alegro com seu sorriso, me entristeço com seus tropeços, mas me orgulho de ver você crescendo. Tenho paz em te ver sempre comigo. Vejo em você, a bela sinceridade do humano, e quero que saiba, que sempre estarei com você, você que é minha filha amada. Você que é corajosa. Você que é forte. Você que não desiste e nem se entristece fácil com uma dificuldade. Você que é sempre encorajadora e determinada. Você que é agora, uma criança sensível, mas será uma grande mulher corajosa." 

Para uma criança de 7 anos, muitas coisas não fizeram sentido. Mas me agarrei nessas verdades. E todas as vezes que eu olho para os últimos 19 anos. Eu sou feliz de ver que Ele esteve comigo, me provando boa parte dessas verdades, sobre quem eu sou. 


quinta-feira, 25 de agosto de 2022

E o que se é? Se não vocÊ?

 preciso compartilhar algo antes que perca o sentido real. eu abri o canva de PED pra ver se já estava liberado, e estava. Fiquei ansiosa na mesma hora por perceber que era coisa demais pra eu me organizar. me desesperei nisso, e apenas  chorei. A minha dor não é apenas por sentir que é muito, pq sinceramente isso nem é tanto, a dor é mais sobre ouvir que eu não dou conta de nada e que eu to muito distante da autonomia que eu tanto sonho, desejo e busco ter. É dolorido ouvir que to reclamando demais por ser muita coisa. Mas a minha cabeça doi tanto quando as minhas mil ideias sobre o viver se mistura as coisas que eu preciso fazer. Pareço uma criança mimada brigando por liberdade pra fazer apenas o que deseja: brincar, rir e desenhar. Mas isso não é um pedido horrível é?? desejar mais leveza em ser, criar e fazer. Eu sinto um peso tão grande das coisas mas não é pelas coisas, mas pela forma como me apresentam essas coisas. Conheço mulheres e tantas outras pessoas que vivem uma vida cheia e dão conta. apesar das reclamações tem tanta garra em apenas ser e fazer, apenas viver como se deseja e idealiza e ve o mundo. E eu me vejo tão presa a ideais que não são meus. Pra mim a vida é plena até mesmo por seus cansaços e dores. A vida pra mim é plena quando eu não coloco pressão sob um sentimento. MAs o respeito como ele é. E as pessoas a minha volta tem tanta ansia por fingir uma coisa que não se é. Tem medo do medo, pq ele assusta. Tem medo do riso pq ele escandaliza. Tem medo da tristeza pq ela machuca. Medo de tanto sentir que faz parte do que somos. Que minhas dores. Se baseiam nas confusões que me criam ou me excedem. 

Me confundo no meu sentir pela confusão em ser daqueles que me contornam. Me vejo assim, sem saber ao certo o que fazer com essa sensação e ansia de me afastar do que não é meu 

sábado, 6 de agosto de 2022

Quais são os meus PorquÊs??

 

Os meus porquês vão muito além de motivações. São parte do que me cria e me faz ser; são parte do modus operandi com o qual desenvolvo minha vida. E são eles que norteiam minhas escolhas e decisões; minhas atitudes muitas das vezes. Parte dos porquês servem como uma direção e uma busca pelo meu lugar no mundo. E a maior ironia talvez, é o fato de eu saber qual o meu lugar... meu lugar é com, para e no extraordinário. Meu lugar é um lugar de sonhos, mas que pela má conduta dos porquês se torna meu lugar de pesadelos, meu lugar de fuga, meu lugar de medos. Um lugar que muitos fogem de estar, mas que eu corro para me proteger. Proteger do medo de confiar. 

Confiança talvez seja a maior fraqueza dos meus porquês, pois com eles eu não consigo apenas aceitar. Meus porquês geram dúvidas e dores sinceras que apenas aquele que me escolheu para o extraordinário pode responder, mas infelizmente, como sempre, eu corro. Corro do que ele me pede pra ser, é tão extraordinário, como pode ser possível? 

(As pessoas que desejam glória e honra certamente nunca  visualizaram o lugar em que o mais magnífico e honrado está. Se o tivessem presenciado, saberiam que não é lugar de mortais, não somos dignos de tamanha magnitude.)

Mas vejam que amplitude Ele tem. Mesmo eu não me vendo como parte ou aceitável nesse extraordinário, não apenas me convida, como insiste absurdamente para que eu esteja lá com ele, relembrando  sempre:

"Aqui é o seu lugar"

Portanto, alinho meus porquês a um único pedido:

Por que não me concedes mais uma dança em nosso lugar extraordinário?

sábado, 30 de julho de 2022

 Em uma rua escura e vazia me vi

sem cores ou formas a me encantar 

mas então vi a possibilidade de uma complicação 

(formas complexas são as mais encantadoras de se portar) 

 Algo em que me determinar para além do padrão monótono e aceito pelo externo 

Algo em que fomentar, novas descobertas sobre mim e sobre o caminho 

o vazio se tornou cheio, a escuridão se tornou paz 

me vi em algo, me lembrei da luz 

me reencontrei com o que se foi e deixei em parte do caminho 

mas relembrar a necessidade e sentir a falta dessas partes 

apenas me relembrou do conforto da escuridão 

a complicação chegou a desgastar o interno e complexo caminho que eu mesma tracei até aqui 

então me agarrei na única certeza que persiste 

o caos do meu caminho em ser confortável com a escuridão.

sábado, 18 de junho de 2022

é apenas o ser

Prometi cuidar de mim o tempo que fosse necessáro

Prometi me priorizar e me amar em tudo que fosse possível 

sem me comparar, analisar demais, limitar demais, e impedir de apenas dar curso a vida 

prometi me libertar dos medos que me foram impostos 

prometi olhar a tudo com amor 

a todos com gratidão e esperança 

eu prometi viver e ser 

algo pra mim, pra alguém

pra todos.  

prometi estar aqui 

mas as vezes 

só queria não sentir a necessidade de cumprir isso 

queria apenas saber que sou um ponto, um fator nessa imensa camada de gases, módulos, células, átomos. 

ser algo sem tanta importância, 

apesar de ainda necessitar de ser alguém lembrado por tantos 

é de novo a velha  história do ser 

incomum a muitos 

inconsequente como tantos 


19 - 05

 


Talvez...

eu me sature da minha própria condição.

me sature das minhas próprias ideias

e busque um refúgio onde tudo seja solução

mas para isso, o caos é premeditado.

eu devo me cansar de repetir, repetir e não sentir efeito

apesar de o ter, de o ser

sou resultado d mim mesma

e me perco em todas as vezes que isso não deixa de mim

talvez eu apenas viva em uma busca constante de mim mesmo

um ser que nem se quer exista

mas eu ainda o procure

ainda o anseie por não se contentar com o conforto

o conforto em se contentar com uma vida sem caos

talvez essas angustias e inconclusões sejam apenas uma ansia por permanecer de um eu que briga com a constante necessidade de se descobrir

talvez seja isso.

talvez não o seja.

quinta-feira, 12 de maio de 2022

4 de Maio

 Queria conseguir colocar em palavras a sensação que tenho agora

Mas é tão conflituosa que nem mesmo o escritor mais bem afeiçoado de suas ações saberia entender tamanha abstração
Não me orgulho mesmo do que tenho me tornado a partir do meu interior
Mas experimentar por ao menos nesse período a idealização de liberdade, favorece os aspectos do que é o nao livre
Do ser afogado em si e em conflitos em uma busca constante por uma paz inexistente

domingo, 8 de maio de 2022

Ainda há direção?

Expressar minha dimensão sem ti, é o mesmo que sentar para desenhar e nada fluir. 

É uma lógica sem saída. Um fim sem chegada. 

Queria poder me reorientar a ti, apenas com minha própria força. Mas sei que nenhuma boa lógica, é capaz disso por si própria. 

Sei que a ti pertenço, e a ti tenho. Mas não ajo como quem sabe dessa certeza. Não vivo como quem sente a brasa do espírito pairar sobre a terra. Não ando  como quem caminha com Cristo. Muito menos diálogo como quem ama o perdido. 

Queria saber melhorar  Queria saber me achar 

Mas não há saída sem olhar para sua luz. 

quarta-feira, 23 de março de 2022

Lamentável Ser

 Os nossos vazios 

doem como montanhas cheias 

Vazias de alguém 

Cheias de tempo

E quanto tempo elas esperam 

Esperam o a vir delas mesmas. 

O a vir que nem elas sabem 

Se a vida for o apenas estar 

Estamos como? 

Se for viver por um futuro 

Ignoramos o presente 

A essência que ele traz 

Apenas por que ? 

Se mil anos eu conseguisesse ver 

Estaria presente, 

no medo de crescer 

E virar gente 

Se a vida for sentir 

Sinto tanto 

E nada 

Nada que valha ser lembrado 

Como algo aconchegante 

Como vida

Ou um futuro a ser deixado 

Mas não seria essa 

A perfeita futilidade do ser ? 

Apenas estar 

Apenas aceitar ficar 

Mas por que ainda sim, 

O a vir chega 

Causa e lamenta? 

Lamenta  eu estar 

Lamenta eu ir 

Lamenta eu chegar 

É um a vir de lamentos 

Principalmente anseios 

Que nem mesmo ele, 

Tão cheio de nada 

Sabe explicar o porquê