Em muitos momentos ao longo dos meus 20 anos de vida, eu me vi fazendo essa pergunta:
"Quem é você?"
Talvez em determinados momentos essa pergunta seja realmente importante. Como quando eu tinha 7 anos e conheci o Espírito Santo pela primeira vez. O mundo ao meu redor era sempre uma descoberta, algo novo e encantador. Tudo que eu sabia, ou eu não conhecia, ou eu ansiava por entender e ver de novo, era curioso, divertido e bom se descobrir nesse período.
Mas talvez aos 15 anos, essa pergunta se torne completamente conflituosa (ao menos a foi para mim). Eu ouvia vozes de pessoas importantes pra mim, que me diziam coisas nem sempre favoráveis a essa resposta. Ouvia a mim mesma dizendo que o mundo é uma caixinha de surpresa constante e que isso era ou poderia, ser fantástico. Ouvia meus avós contando suas experiências mais reveladoras da vida, e me encantava com a possibilidade de as ter pra mim. Ouvia alguns amigos, em que faziam questão de me lembrar o quao importante eu era para eles, e o quanto agregamos uns aos outros. Ouvia meus livros favoritos, onde a vida se revelava de novo, em constantes e novas descobertas. E por mais respostas, para "Quem eu sou?" eu tivesse, menos certezas eu tinha.
E em todas essas vozes, uma sempre se sobressaiu. A do Espírito Santo, me dizendo coisas absurdamente belas ao meu respeito. Até mesmo quando ele falava de algum defeito, era de uma forma muito singela e sensível. Era sempre como um convite a permitir ser diferente. Em comparação as outras vozes, por vezes eu saía mais com medo de mim mesma, do que com coragem para me entender de uma nova maneira.
Como disse, essa pergunta é sempre estranha de se fazer. Mas por um ponto curioso, ela nunca desapareceu pra mim. Realmente desde muito cedo, eu me pergunto isso. E vou me imaginando de diferentes formas. Hoje talvez como um reflexo dessa parte da vida, quando eu realizo uma proposta com meus alunos, é sempre envolvendo as possibilidades de se brincar com quem é. De se ver como uma bruxa, um pirata, uma bailarina... Experienciar em diferentes reações e sensações. Para adultos, isso talvez seja estranho. Mas para crianças é muito belo. Apesar de situações parecidas, eles se revelam cada vez mais, sobre quem são. Eles se reconhecem como parte de algo, se vem em situações próprias, e aquela marca familiar que os segue e os cerca, cada vez menos se impera.
E quando eu olho para esses momentos, eu de novo me pergunto "Quem Você é?". E por vezes, novamente, caio em mil respostas e possibilidades.
Em 20 anos, eu talvez, ainda não tenha a plena resposta. Tento olhar como uma possibilidade positiva, em que ao longo dos meus dias, eu vou não apenas preenchendo essas respostas, mas me encantando e desencantando com as possibilidades da vida. Olho como algo positivo, que me faz olhar para essa pergunta de uma forma de diferente, e assim questionar ela:
"E se quem sou, é sobre nao ser, mas sobre descobrir quem se é?"
Mas é claro, uma redundância dessas, não se torna suficiente, ainda "Quem é você?" Demonstra mais força e mais potência.
E quando junto todas essas partes de mim, todas essas vozes que se revelam através de espelhos. Eu lembro de novo da primeira vez que ouvi o Espírito Santo falar comigo.
E ele me dizia assim:
"Você é minha filha amada, em quem eu me regozijo, me alegro com seu sorriso, me entristeço com seus tropeços, mas me orgulho de ver você crescendo. Tenho paz em te ver sempre comigo. Vejo em você, a bela sinceridade do humano, e quero que saiba, que sempre estarei com você, você que é minha filha amada. Você que é corajosa. Você que é forte. Você que não desiste e nem se entristece fácil com uma dificuldade. Você que é sempre encorajadora e determinada. Você que é agora, uma criança sensível, mas será uma grande mulher corajosa."
Para uma criança de 7 anos, muitas coisas não fizeram sentido. Mas me agarrei nessas verdades. E todas as vezes que eu olho para os últimos 19 anos. Eu sou feliz de ver que Ele esteve comigo, me provando boa parte dessas verdades, sobre quem eu sou.